BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 11, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou o filho Eduardo aos Estados Unidos para “salvá-lo” de uma punição na ação penal por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em discurso em evento em Linhares, no Espírito Santo, o presidente se referiu ao adversário político como “coisa”.
“Aquela coisa covarde, que preparou um golpe neste País, não teve coragem de fazer, está sendo processado, vai ser julgado e ele mandou o filho dele para os Estados Unidos pedir para o Trump fazer ameaça. ‘Ah, se não liberarem Bolsonaro, eu vou taxar vocês’”, disse Lula, sobre a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Lula durante a cerimônia de apresentação dos avanços do Novo Acordo Rio Doce no Espírito Santo, no Parque de Exposições de Linhares Foto: Ricardo Stuckert/PR
“A coisa mandou um filho, que é deputado, se afastar da Câmara para ir lá ficar pedindo: ‘Trump, pelo amor de Deus, salva meu pai, não deixa meu pai ser preso’”, ironizou, referindo-se ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está no país desde fevereiro. “É preciso essa gente criar vergonha na cara, porque a coisa mais pequena de um homem é ele não ter caráter.”
“Vocês viram ontem o filho dele na internet lendo uma carta: ‘Oh, Trump, fala que você não vai taxar se meu pai não for preso. Que homem é esse que não tem vergonha de enfrentar o processo dele de cabeça erguida e provar que foi inocente?”, continuou. “Quem está denunciando ele são os generais e o ajudante de ordens dele que era coronel do Exército”, disse o presidente.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, é delator no caso e afirmou que o político do PL discutiu e revisou minutas de documentos para decretar Estado de Sítio ou Estado de Defesa no País, em 2022, com objetivo de impedir a posse de Lula.
Em oitivas no STF, o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos Almeida Baptista Junior e o ex-chefe do Exército Brasileiro Marco Antônio Freire Gomes afirmaram também que Bolsonaro consultou a possibilidade de “virar a mesa” pelo menos a generais das Forças Armadas, discutiu a possibilidade de prender ministro do STF Alexandre de Moraes.
Lula ainda repetiu no discurso a comparação das ações de Trump na época da invasão do Capitólio com o que ocorreu nos ataques de 8 de Janeiro em Brasília feita nas entrevistas para a TV Record e a TV Globo nesta quinta-feira, 10.
“Se o Trump fosse brasileiro e aqui tivesse um Capitólio e ele fizesse aqui o que fez nos Estados Unidos, seria preso. O Poder Judiciário é autônomo. Não tem como eu interferir na Suprema Corte. Ele vai ser julgado com base nos autos. Se ele for inocente, ele vai ser absolvido, como eu fui. Se ele for culpado, ele vai para a cadeia como todo mundo tem que ir”, disse.
Lula não foi absolvido nos processos da Operação Lava Jato, mas as condenações foram anuladas porque o STF entendeu que o então juiz Sérgio Moro foi parcial, o que comprometeu o direito da defesa a um julgamento justo, e de que os casos tramitaram fora da jurisdição correta.
Ainda sobre a taxação dos EUA nos produtos brasileiros, Lula evitou entrar em confronto com Trump, mas afirmou que o presidente norte-americano está mal informado. “Os Estados Unidos não têm déficit comercial com o Brasil. É o Brasil que tem déficit comercial com os Estados Unidos. Eu que deveria taxar eles”, afirmou, com ironia. Lula disse respeitar os Estados Unidos e a relação com o Brasil.