Itamaraty convoca embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos após críticas de Milei
Milei chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”. Crédito: AFP
A presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Ana Lya Ferraz da Gama, citou “extrema preocupação” sobre as ofensas do presidente argentino, Javier Milei, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A magistrada disse que decisões judiciais são tomadas por critérios técnicos, e não por “pressão de quem quer que seja”. Ela ressaltou que o ataque recai sobre um juiz no exercício do cargo.
“Manifesto extrema preocupação com a ofensa dirigida a um ministro do STF, o ministro Alexandre de Moraes, por autoridade estrangeira em passagem pelo País. O ataque, feito em solo brasileiro, não recaiu sobre um indivíduo: recaiu sobre uma decisão tomada por um magistrado no exercício do cargo”, afirmou a juíza federal nesta terça-feira, 28.

Durante lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, presidente da Argentina, Javier Milei, chamou Moraes de ‘lixo careca’ e Lula de ‘presidiário’ Foto: Taba Benedicto/Estadão
Durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro pelo PL, o presidente da Argentina xingou Moraes de “lixo careca”. Queixou-se de ter sido vetado pelo ministro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão domiciliar.
“Uma decisão pode ser questionada de muitas formas legítimas. Substituir o argumento pela ofensa não é uma delas. A independência de quem julga é a garantia de que cada cidadão terá suas causas decididas por critérios jurídicos, e não pela pressão de quem quer que seja”, completou a presidente da Ajufe no comunicado.
O presidente do STF, Edson Fachin, também saiu em defesa de Moraes e disse que “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade”. O ministro Flávio Dino afirmou: “Um bom tribunal estabelece fronteiras intransponíveis para os totalitários e trapaceiros”.
Além de ofender Moraes, Milei chamou o presidente Lula de “presidiário”, o que gerou uma crise diplomática entre os dois países. O governo brasileiro convocou o embaixador brasileiro na Argentina e também o embaixador argentino no País para tratar do caso. O chanceler Mauro Vieira considerou as declarações de Milei “inaceitáveis”.