Campanha política com IA já está na rua e já fabrica petista tresloucada e nem estamos em 2026
Na corrida pelo voto do eleitor as redes servem para destruir reputações e ganham capacidade exponencial com inteligência artificial.
Caminhoneiros entram em greve para protestar contra a separação de um casal de influenciadores digitais; operários reclamam que atribuem à ETs a construção das pirâmides do Egito; e uma apresentadora do PTNews se esgoela repetindo que nada que acontece de errado no País é culpa de Lula. No mundo virtual essas mensagens estão disseminadas, mas é tudo falso.

Apresentadora criada por IA em vídeo disseminado por bolsonaristas Foto: Reprodução via X
Até aqui a nova versão IA da Google, o Veo 3, parecia ser brincadeira de criança. Cria personagens de aparência realíssima em situações jocosas, como colocar ETs e egípcios a falar em português e serve de diversão para os minutos que o celular nos devora na rotina cotidiana.
Já a tal apresentadora tresloucada petista é o primeiro passo. Começa como piada. Sabe-se lá onde vai parar. Oficialmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já aprovou uma resolução que veda o uso da chamada deepfake, quando um personagem real tem sua fala e ação alterada digitalmente para colocá-lo numa situação que não existiu.
A mesma resolução não veda completamente o uso da IA na política. Deixa lá expresso que, em caso de uso do recurso digital, isso precisa estar informado ao eleitor. Essa é a regra para o horário eleitoral. Já no mundo paralelo que viaja na velocidade de um zap a imaginação é o limite de quem quer usar o IA para assacar a honra alheia.
Nos tempos em que as redes digitais ainda engatilhavam, um político brasileiro se deu conta de que, para as campanhas, elas tinham um só destino e comentava para quem quisesse ouvir: elas servem para destruir reputações. Agora que estamos sendo iniciados no mundo das IAs tal função ganha capacidades exponenciais.
Se não bastassem os problemas reais como saber lidar com a fraude no INSS ou as joias contrabandeadas, temos a curto prazo a possibilidade de sermos apresentados a denúncias falsas de personagens falsos sobre candidatos verdadeiros. E pela rapidez com que essas estórias circulam, reparar o dano, no curto período eleitoral, pode ser tarefa hercúlea ou mesmo impossível.