
Dos três pré-candidatos à presidente que o PSD botou na roda nas últimas semanas, Ronaldo Caiado era sem dúvida o mais identificado com a direita. Mas, campanha é campanha, ele será vendido como um político de direita, mais ao centro do que seus adversários. Ou, como diz um de seus assessores, “uma direita que não é cega, uma direita que conversa, que negocia com os outros espectros políticos”.
É assim que ele vai ser apresentado ao país. Porque esse é, na visão dos seus estrategistas de comunicação, seu primeiro desafio: “ser introduzido ao Brasil, que não o conhece”.
Diz um deles:
— Nada de confronto com o nosso campo neste momento. A hora é de mostrar para as pessoas quem ele é, o que ele fez em Goiás, o que ele fez como deputado e senador.
Não vai fustigar Flávio Bolsonaro?
— Atacar o Flávio é dar tiro no pé.
Para exibi-lo ao eleitor, as duas primeiras providências serão:
*Impulsionar conteúdo de propaganda dele nas redes sociais, mostrando seus programas de governo em Goiás, com destaque para as áreas de educação, saúde e segurança pública.
*40 inserções comerciais na TV e no rádio a que o PSD terá direito em abril.
Sua campanha repetirá que Caiado só crescerá de verdade a partir de agosto, com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV. Até lá, o objetivo é tentar agregar os votos que as pesquisas davam para Ratinho Jr. (8%) e Eduardo Leite (3%) aos dele (4%, segundo a última Quaest).
Algo que não é exatamente simples: a Quaest divulgada há duas semanas mostra que a transferência de votos não é automática, muito pelo contrário. Só uma ínfima parcela dos eleitores de Ratinho responderam que votariam em Caiado se o governador do Paraná desistisse de concorrer: 32% votariam em Flávio Bolsonaro, 17% em Lula e 13% em Ronaldo Caiado. Indecisos eram 6% e quase um terço (27%) votaria em branco, nulo ou não compareceriam às urnas.