O brasileiro Zé Ricardo é o técnico do Sporting Cristal, do Peru, que vai enfrentar o Palmeiras nesta semana na CONMEBOL Libertadores. O duelo entre as equipes, válido pela segunda rodada da fase de grupos, será na quinta-feira (16), às 19h (de Brasília), com mando palmeirense.
Zé Ricardo assumiu o time peruano no último dia 3, substituindo o também brasileiro Paulo Autuori, que foi o responsável por indicá-lo para o cargo. O novo comandante precisou passar por um processo seletivo antes de ser escolhido para a função.
“Foi tudo muito rápido. Eu tinha feito uma entrevista [com o clube] durante a semana, mostrando um pouquinho do trabalho. Havia outros candidatos. Na sexta-feira (3), eles me contactaram falando que a gente tinha sido aprovado nas etapas iniciais. E foi muito rápido, em coisa de duas horas eu já tinha acertado a minha vinda para cá”, explicou, em entrevista exclusiva à ESPN.
“No sábado (4), já viajei para, no domingo, iniciar os treinamentos, visando a estreia da Libertadores. Da entrevista para a minha viagem, foram três, quatro dias. Da minha aprovação até a viagem, foram praticamente 24 horas”, acrescentou.
“O Paulo Autuori já tinha me contactado da sua ideia [de sair], [perguntou] se eu tinha interesse, porque ele já estava se colocando em acordo com o clube para poder voltar ao Brasil. E eu não tive dúvidas, ainda mais por uma indicação do Paulo, que é uma referência, para mim, pessoal e profissional. Eu falei que gostaria de disputar esse processo seletivo. Eles tinham outros nomes, mas que bom que fomos nós os escolhidos”, concluiu.
O processo seletivo, por mais que possa parecer incomum para profissionais brasileiros, não foi uma novidade para Zé Ricardo.
“Já é a terceira ou quarta vez que acontece comigo. Nesse período em que fiquei sem trabalhar, eu estava me preparando, estudando um pouco de língua estrangeira, um pouquinho do inglês, um pouco do espanhol também, por saber que poderia acontecer e pelo meu desejo de trabalhar fora do Brasil novamente”, explicou.
“Lógico que eu escutei algumas propostas do futebol brasileiro, que sempre acabam acontecendo, mas entendi que talvez não estivesse tão alinhado com os aspectos que todo treinador busca quando quer chegar em uma equipe. Esperei com um pouco mais de calma. Às vezes, cria um pouco mais de ansiedade, porque a gente gosta de estar fazendo isso, trabalhando dentro do campo. Mas tive um pouquinho mais de resiliência nesse período em que fiquei sem trabalhar, para poder ter essa oportunidade que estou tendo agora”.
“Isso (processo seletivo) está cada vez mais comum nos clubes, principalmente de fora. Talvez no Brasil um pouco menos, por a maioria dos diretores e gerentes esportivos conhecerem o perfil dos seus treinadores e terem isso muito claro quando fazem a sua proposta a esse treinador. Mas, quando se trata de uma ida para fora, é natural que tenha esse processo seletivo, às vezes duas, três fases de cada processo. [No processo] Tinha brasileiro, tinha peruanos, e tinha outras nacionalidades sul-americanas. Isso vai acabar sendo uma rotina cada vez maior nas equipes”, finalizou.
Zé Ricardo começou a carreira de treinador no futebol profissional em 2016, no Flamengo, promovido após trabalho na categoria sub-20. Depois, trabalhou no Vasco, Botafogo, Fortaleza, Internacional, Cruzeiro, Goiás e Criciúma. Fora do Brasil, treinou o Qatar SC, no Oriente Médio, e o Shimizu S-Pulse, no Japão. A experiência no Sporting Cristal é a primeira em outro país do futebol sul-americano.
“Eu não tive dúvidas [de ir para o Sporting Cristal], porque sei que é um grande do futebol peruano, uma das três maiores equipes aqui do país, e também com uma história muito bacana na Libertadores. É um mercado que muitos brasileiros podem aproveitar. O Tiago Nunes vem fazendo no futebol sul-americano, o próprio Paulo Autuori. Agora tem o Mano Menezes na seleção peruana, o Cléber Xavier como auxiliar da Venezuela. É um mercado interessante, que fez com que eu tomasse a decisão muito rápida para vir para cá”, contou.
O Sporting Cristal tem tido uma tradição de técnicos brasileiros. Antes de Zé Ricardo e Paulo Autuori, passaram por lá Tiago Nunes e Enderson Moreira. Tudo isso nos últimos quatro anos — o que ajudou na adaptação. O “intruso” no período foi o argentino Guillermo Farré.
“Fiz um contato direto com o Autuori, primeiro para agradecer o espaço que ele abriu para a gente, até porque já foi treinador da seleção peruana, tem realmente muita moral aqui no país, já tinha trabalhado aqui no Sporting Cristal. Uma indicação do nome como Paulo certamente é importante para a gente poder chegar aqui com uma perspectiva melhor”, disse Zé Ricardo.
“Mandei mensagem para o Tiago Nunes, ele estava na correria, estreou (com a LDU na Libertadores). E o Enderson sempre se coloca muito à disposição, disponível para que a gente pudesse trocar essas informações, certamente são pontos que a gente vai buscando para agregar e fazer uma adaptação mais fácil”, concluiu.