Nos EUA, Flávio pede monitoramento e pressão diplomática por ‘eleições ‘justas’ no Brasil
Em discurso em conferência conservadora, pediu que Estados Unidos observem a eleição brasileira. Crédito: CPAC
BRASÍLIA – A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) puxou deputados para o PL e fez o partido ser o maior beneficiado pela janela de troca partidária no último mês na Câmara, conforme levantamento parcial do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) puxou deputados para o PL e fez o partido ser o maior beneficiado pela janela de troca partidária no último mês na Câmara, conforme um levantamento parcial do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Foto: Pedro Kirilos/Estadão
A janela marca um período de 30 dias, que durou do dia 5 de março a 3 de abril, em que deputados federais podem trocar de partido sem serem cassados por infidelidade e disputar as próximas eleições. O número final só deve ser conhecido na segunda-feira, 6, pois nem todas as filiações foram comunicadas.
Segundo o levantamento parcial, o PL aumentou em 12 o número deputados federais na janela, com a entrada de 20 novos parlamentares e a saída de oito. No total, a legenda ficou com 97 parlamentares na Câmara. Nas eleições de 2022, o partido havia eleito 99 deputados federais.
O PSD, que lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato a presidente, foi o segundo colocado, com saldo positivo de mais sete deputados federais. No momento, o PSD registra 47 deputados no site da Câmara.
O União Brasil, de onde Caiado saiu, foi o partido que mais perdeu deputados nos últimos 30 dias, com 17 integrantes a menos, resultado líquido da entrada de cinco e da desfiliação de 22 deputados. Na Câmara, o União empata com o PSD e também tem 47 deputados.
“No geral, as mudanças ocorrem no campo da direita e centro-direita sendo interpretadas como parte da estratégia dos parlamentares para ampliar as chances de reeleição, seja por meio de melhor acesso ao financiamento de campanhas estrutura, seja pelo alinhamento a candidaturas ao Executivo estadual e nacional, especialmente à pré-candidatura do Flávio Bolsonaro”, diz o analista político e diretor de Documentação do Diap, Neuriberg Dias.
“Tinha uma expectativa de migrações por causa das movimentações de pré-candidatos do PSD e do Republicanos, como Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo). Porém, com as pesquisas favorecendo o herdeiro do clã Bolsonaro, manteve a bancada fortalecida do PL”, comenta o especialista.
Entre os reforços do PL, estão nomes que se aproximaram do bolsonarismo e devem se dedicar à campanha de Flávio nas eleições de outubro, como o deputado Alfredo Gaspar (AL), relator da CPI do INSS e pré-candidato ao Senado em Alagoas, que saiu do União Brasil, e Rosângela Moro (SP), também do União Brasil, mulher do senador Sérgio Moro (PR), que fez o mesmo movimento para concorrer ao governo do Paraná.
Nas contas do partido, com o levantamento definitivo, serão 11 deputados a mais, com a entrada de 23 novos integrantes e a saída de 12 deputados da legenda. “O PL foi o partido que mais cresceu na janela. Os bons resultados nas pesquisas do Flávio Bolsonaro geraram perspectiva de poder”, afirmou o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), ao Estadão.
O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não filiou nenhum deputado federal na janela partidária e perdeu uma integrante, com a saída da deputada Luizianne Lins (CE) para a Rede. O PDT, também da base mais próxima do governo Lula, foi o segundo partido que mais perdeu, com seis deputados federais a menos.
“A janela foi mais uma reorganização no campo da direita e na centro-direita. E a esquerda buscando manter e apoiar nomes de outros partidos nas eleições para a Câmara e Senado. O PT preferiu apoiar candidaturas e alianças a trazer nomes para a legenda”, diz o analista do Diap.
As movimentações na esquerda seguiram os palanques estaduais e a eleição nacional. O deputado Túlio Gadêlha (PE), por exemplo, saiu da Rede e migrou para o PSD, na tentativa de se eleger ao Senado. Ele se juntou à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), pré-candidata à reeleição, em uma tentativa de conectar o palanque dela ao de Lula no Estado, onde o apoio do presidente também é disputado pelo ex-prefeito de Recife João Campos (PSB).
“Estou chegando ao PSD para fortalecer um projeto que está alinhado ao presidente Lula e às pautas que sempre defendi. Não se trata apenas de uma filiação partidária, mas da definição de um campo político claro, ao lado de quem acredita na democracia, no desenvolvimento social e na redução das desigualdades”, afirmou Gadêlha.
Ao mudar de partidos, os políticos também costumam seguir aqueles que têm maior acesso ao fundo eleitoral. A verba chegará a quase R$ 5 bilhões nas eleições deste ano. Segundo as estimativas do Diap, os partidos de direita vão ter entre 80% e 90% do chamado “fundão”. O cálculo do fundo eleitoral é feito com base no resultado das últimas eleições, mas é quem está nos partidos agora que acessa os recursos em cada legenda.