Fraude no Farmácia Popular tem ramificação em Luziânia e financia tráfico internacional, diz PF

PUBLICIDADE


Uma investigação da Polícia Federal revelou que Luziânia (GO) foi um dos pontos-chave de um esquema criminoso que usava farmácias de fachada para desviar recursos do programa Farmácia Popular e financiar o tráfico internacional de drogas. Segundo a PF, quase R$ 40 milhões foram desviados por meio do uso de CPFs de pessoas inocentes, endereços falsos e empresas registradas em nome de laranjas.

O caso veio à tona após a apreensão de drogas em Luziânia, o que levou os investigadores a descobrir que parte da carga havia saído de Rondônia e seria distribuída em diferentes estados, incluindo Goiás e São Paulo. A operação revelou que o município goiano fazia parte da rota de distribuição e recebimento de cargas ilegais ligadas ao tráfico internacional.

As investigações se expandiram rapidamente para outros estados como Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Em todas as regiões, foram identificadas farmácias que só existiam no papel, mas que, mesmo assim, receberam altos valores de repasses do Farmácia Popular.

Em Águas Lindas de Goiás, por exemplo, duas farmácias registradas em endereços inexistentes teriam recebido quase R$ 500 mil em recursos públicos. Moradores da região ficaram surpresos ao descobrir que seus endereços estavam associados ao esquema. “Moro aqui há cinco anos e nunca teve farmácia nenhuma nesse local. É revoltante”, afirmou uma moradora.

Segundo a Polícia Federal, o dinheiro desviado era usado para lavar recursos e financiar o tráfico de cocaína na Bolívia e no Peru. Parte dos valores era repassada a cidades próximas às fronteiras, onde atuam organizações criminosas especializadas na produção de drogas.

As farmácias de fachada, registradas até em lotes baldios e com contatos de outros estados, serviam como meio de movimentar o dinheiro de forma a não levantar suspeitas. Um número de telefone ligado a uma fornecedora de CNPJs também foi rastreado pelos investigadores, fortalecendo a tese de atuação coordenada da quadrilha.

“Essa organização criminosa utilizou o programa Farmácia Popular para lavar dinheiro e, posteriormente, investir no tráfico de drogas”, destacou José Roberto Peres, superintendente da Polícia Federal no Distrito Federal.

A Controladoria-Geral da União acompanha o caso, e o Ministério da Saúde estuda medidas para reforçar a fiscalização do programa. A investigação segue em sigilo, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.



Source link

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima