Gripen lança bombas guiadas a laser em ataque ao solo e FAB vai desenvolver drones kamikazes

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F-39 Gripen E/F: novo caça da FAB é o mais poderoso da América Latina

FAB conclui testes da aeronave no Brasil e passa a operá-la no Grupo de Defesa Aérea de Anápolis.

O Brasil se tornou o primeiro país a lançar as bombas Mk84 e bombas guiadas a laser com o sistema Lizard 500, a partir de um caça F-39 Gripen. O teste da Força Aérea Brasileira com os artefatos foi concluído na semana passada em Maxaranguape, ao norte de Natal (RN), e foi monitorado em tempo real, verificando a separação segura das bombas e a estabilidade da aeronave em diferentes condições a fim de certificar o avião para operações de ataque ao solo.

Em novembro, o Gripen havia realizado com sucesso o lançamento do míssil ar-ar Meteor, uma arma poderosa, do tipo BVR (sigla inglesa para Beyond Visual Range ou Além do Alcance Visual), que pode engajar alvos a até 200 km de distância. Também havia testado seu canhão Mauser BK-27 e o reabastecimento em voo com o KC-390 Milennium durante a Operação BVR-X.

Assim, segundo a FAB, o objetivo da Operação Thor foi “dar continuidade ao aprimoramento das funcionalidades ar-solo do F-39, ampliando, assim, a capacidade estratégica da Força Aérea Brasileira (FAB)”. O coordenador-geral da operação, o coronel aviador Alisson Henrique Vieira, explicou que o ponto mais delicado da operação era testar o momento da separação das bombas, seu lançamento pela aeronave.

Segundo ele, a separação ocorre no instante em que o piloto aciona o botão de liberação de armamento e é considerado um momento sensível da missão. “Por vezes, podem ocorrer fenômenos aerodinâmicos que interferem neste processo e geram situações de insegurança ou até mesmo danos à aeronave. Por isso, tudo é minuciosamente analisado para a validação, permitindo prosseguir com segurança até a liberação para uso operacional”, explicou.

Os testes começaram em 19 de janeiro. O avião do Gripen Flight Test Center, de Gavião Peixoto (SP), estava equipado com um casulo litening de designação de alvos e de orientação de suas bombas e mísseis guiados a laser e usou ainda outros dois pods para registrar o comportamento das bombas no momento da separação, do lançamento das bombas.

As bombas Mk84 pesam cerca de 900 quilos e usam como explosivo o tritonal. De fabricação americana, ela pode penetrar em estruturas de até 3,5 metros de concreto. Já o Lizard 500 é um sistema fabricado pela israelense Elbit Systems e pode ser acoplado às chamadas “bombas burras” de 230 quilos, como as da família Mk80.

Os técnicos da FAB e da Saab, fabricante sueco do avião, atuaram na preparação dos alvos, nas coordenações com a aeronave e também no registro de imagens para verificação e levantamento de coordenadas do ponto de impacto do armamento. Câmeras foram colocadas em todo o campo de prova para registrar cada lançamento.

Segundo o coronel Alisson, antes da primeira decolagem do F-39, uma equipe técnica trabalhou “na avaliação dos pontos de ensaios a serem verificados”. Houve ainda uma “preocupação extra na mitigação de qualquer risco”. Ele explicou: “O voo aqui é curto, porém, envolve uma interação grande do piloto com a máquina no sentido de ajustes e configurações não tão usuais na rotina. Por isso, recebemos uma carga de treinamento específico”.

O chefe de ensaios em voos da Saab, Mikael Olsson, afirmou para a FAB que o “sucesso da campanha comprova o avanço do vetor”. Ele destacou ainda o pioneirismo do Brasil no lançamento das bombas a partir do Gripen. “Os dados obtidos reforçam como a aeronave amplia de forma significativa a capacidade da Força Aérea Brasileira”, afirmou o sueco à FAB.

Parceria em busca de SARPs e drones kamikazes

Ao mesmo tempo em que concluía os testes da capacidade de ataque ao solo do Gripen, o comando da Aeronáutica assinava com a Stella Tecnologia um protocolo de intenções para a cooperação técnica para o desenvolvimento de Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP) e drones de aplicação dual: inteligência, vigilância e reconhecimento (IVR), busca e salvamento, mas também para o lançamento de cargas explosivas e ataques suicidas, além de comunicações aeroespaciais.

O documento foi assinado pelo tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da FAB, e por Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, na nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), em Brasília. Os trabalhos devem durar 60 meses e preveem intercâmbio de informações e a eventual formalização de projetos específicos, segundo a empresa, “sempre em conformidade com a legislação vigente, regras de confidencialidade e proteção da propriedade intelectual”.

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O objetivo será o desenvolvimento de plataformas SARP IVR e a avaliação das capacidades de lançamento de cargas, bem como a confecção de drones kamikazes, com prioridade para encontrar soluções de propulsão nacionais e a exploração de “alternativas energéticas eficientes”. Ou seja, a FAB quer um desenvolvimento nacional autônomo para o País não ficar submetido aos interesses de potências extrarregionais.

Para o brigadeiro Damasceno, “temos tudo para criar resultados duradouros e já começamos isso”. “Dando continuidade, juntando as três Forças e priorizando o material nacional, vamos muito longe. Nós temos muita capacidade e as Forças têm que priorizar esse material. Acho que estamos fazendo isso bem neste momento”, afirmou.

Buffara Júnior enfatizou o momento geopolítico atual. E afirmou: “Talvez, precisemos mais da Defesa, mais do que em qualquer momento da história recente. Então, acho que esse é um grande passo”. A FAB faz, assim, o mesmo movimento que a Marinha e o Exército fizeram, recentemente, em busca de desenvolvimento autônomo de drones nacionais, essenciais para a defesa e a dissuasão em nosso entorno estratégico.



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