O mercado financeiro apoiará Flávio Bolsonaro?

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O mercado financeiro começou a recalibrar suas apostas depois que o desejo de ver o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputar o Palácio do Planalto foi sufocado pela pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até a semana passada, persistia entre agentes econômicos uma expectativa residual de reversão desse cenário, mas após pesquisas eleitorais não considerarem mais o nome de Tarcísio, o setor financeiro percebeu que terá realinhar rotas.

A primeira mudança de comportamento já apareceu: a Faria Lima deixou de virar as costas para o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi, inclusive, um dos destaques do evento do BTG Pactual para investidores, sendo sabatinado sobre seu projeto eleitoral.

É fato que o apoio da elite financeira é apenas uma das variáveis na construção de uma candidatura presidencial. Afinal, os investidores não são engajadores de votos. Mas a posição desses atores sinaliza expectativas que podem abalar a economia e, consequentemente, as campanhas políticas.

No momento, a atenção do mercado se fragmenta entre diferentes alternativas em um contexto marcado por incerteza.

No PSD, a presença simultânea de três pré-candidatos – Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) – dificulta a consolidação de um nome capaz de atrair apoio mais estruturado dos agentes financeiros, que tendem a aguardar a definição interna do partido antes de incorporar qualquer candidatura às suas projeções.

As pesquisas eleitorais indicam pequena vantagem para Ratinho Junior, que traz um viés de centro-direita, escapando da polarização. A leitura é de que o governador paranaense tem perfil que poderia, em algum momento, ocupar o espaço antes projetado para Tarcísio.

Esse momento, entretanto, depende da evolução dos números eleitorais e da capacidade de o PSD demonstrar viabilidade de ir ao segundo turno. O que se mostra difícil, considerando-se a ausência de base consolidada como o petismo e o bolsonarismo têm.

Rejeição a Lula pode abrir portas para Flávio no mercado financeiro

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo. A elevada rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre agentes econômicos cria um ambiente favorável à busca por alternativas de poder, o que abre espaço para que o nome do senador seja considerado, ainda que de forma condicional e pragmática.

Esse apoio potencial contudo, não é automático nem ideológico: depende da magnitude que a candidatura possa alcançar e dos sinais emitidos ao longo da pré-campanha.

Uma eventual adesão do mercado estaria condicionada pelo menos a quatro sinais:

  • Âncora econômica crível, com regras fiscais claras
  • Indicação de um ministro da Fazenda técnico e autônomo
  • Capacidade de se diferenciar do ruído institucional associado a Jair Bolsonaro
  • Compromisso com reformas estruturais

O senador Flávio Bolsonaro acena nessa direção, após reação inicial negativa do mercado ao seu nome. Em reuniões reservadas com empresários, ele usa vocabulário mais técnico, com menções frequentes a temas como desindexação e desvinculação de receitas, sob influência de ex-membros da equipe do ex-ministro Paulo Guedes.

Fator ‘risco Lula’ pesará na decisão do mercado

Pesará na decisão dos agentes de mercado, ainda, a comparação com o risco percebido de eventual quarto mandato de Lula, sobretudo na política fiscal. Num eventual segundo turno, essa racionalidade tende a se tornar mais explícita, com reavaliação fria e objetiva das alternativas em jogo.

Até lá, o apoio segue fluido, condicionado e, como de costume, com o dedo permanentemente na planilha. Nada está fora de cogitação. Resta saber se o mercado estará disposto, mais uma vez, a assumir o custo operacional da escolha.



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