Estratégia de Flávio prioriza bolso do eleitor e tenta evitar o ‘quem tem o escândalo maior’

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Integrantes da equipe do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, “pisam em ovos” para definir o tom da abordagem sobre a situação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal — dois sob relatoria do ministro André Mendonça e um com o ministro Flávio Dino — que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

​Uma ala da campanha defende um enfrentamento direto para explorar o desgaste, ressaltando o “DNA de Lula e do PT” para apontar um histórico de outros escândalos da legenda. O objetivo dessa vertente é conectar o caso atual a figuras do passado, como o empresário Fernando Bittar — amigo de Lulinha que ficou conhecido na Operação Lava Jato como proprietário formal do sítio de Atibaia. Ele voltou a ser citado em apurações recentes da Polícia Federal como integrante de uma “sociedade informal” com o filho do presidente e a lobista Roberta Luchsinger para intermediar interesses privados no governo.

A equipe do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ainda não definiu o tom da abordagem sobre a situação que envolve o Lulinha, filho do presidente Lula Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Apesar dessa pressão, a equipe interna de Flávio enfrenta dificuldades para calibrar a intensidade dos ataques. Afinal, o tema também inflama uma pauta negativa para o próprio senador, uma vez que o candidato enfrenta questionamentos públicos, pois o embate ganha contornos de uma disputa sobre qual lado coleciona o escândalo maior.

Novas decisões do Supremo Tribunal Federal, a exemplo determinação do ministro Flávio Dino para envio de informações da Polícia Civil para a Polícia Federal sobre a produtora do filme Dark Horse, mantêm no radar dos eleitores as apurações que atingem o parlamentar do PL.

Para contornar esse desgaste, interlocutores e aliados buscam redirecionar o foco das atenções para o impacto econômico na rotina da população. A ordem do núcleo de comunicação é centrar forças em temas práticos da vida cotidiana do eleitorado, com ênfase na inflação e na perda do poder de compra.

A tática prevê abordar o aumento do preço dos alimentos diretamente nos supermercados e a frustração do consumidor ao constatar que os rendimentos não cobrem as despesas ao fim do mês.

Ao direcionar a narrativa para as dificuldades financeiras, a campanha tenta escapar de um desgaste mútuo de acusações éticas para pautar o debate eleitoral nas expectativas econômicas das famílias.

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